Fahad 的个人资料Idéias Vazias - Tratamen...照片日志列表 工具 帮助

日志


5月13日

Lágrimas Divinas

                De repente ele parou no meio da ponte, desceu do carro e foi até o muro de proteção, olhou para a água escura que estava lá embaixo e jogou uma moeda, demoraram alguns poucos segundos para que ele pudesse ver a água espirrar ao ser tocada pela moeda. Ele desviou seu olhar rapidamente ao ver um reflexo brilhante sob a água, ele jamais tivera visto algo parecido antes, era a mais bela Lua que ele havia observado em toda a sua vida. Mais parecia uma pintura com tintas metálicas ou uma arte tridimensional feita por um supercomputador, mas ele concluiu que era outra coisa, com muito mais significado.

                Já haviam se passado quase três semanas desde um dos dias mais infelizes de sua vida, e os dias que haviam se seguido não puderam ser muito diferentes, também quem iria se sentir bem perdendo a mulher que amava. Aquela por quem tinha esperado por toda a vida, por quem tinha feito as mais doces loucuras e as mais insanas escolhas, com quem tinha passado os melhores momentos de sua vida, com quem esperava realizar os maiores planos, e justo agora quando ele tinha a encontrado, ou melhor, quando eles haviam encontrado um ao outro. Não parecia justo.

                Era isso que ele pensava desde aquele dia fatídico, isso tudo que estava acontecendo não era justo. Todos os dias ao encostar-se em seu travesseiro para dormir ele lembrava os mágicos momentos que tinham vivido juntos, dos filmes, das horas na praia, das noites juntos, dos beijos à sombra das árvores, dos carinhos que tanto o inquietavam e lembrar tudo isso era doloroso, mais que isso era insuportável. Por vezes ele desejou que a maldita arma tivesse disparado quando jogou roleta russa por duas vezes ao voltar para casa na noite em que percebeu que nada mais aconteceria de novo, quando percebeu que o tempo agora seria seu maior amigo, para fazer com que a dor passasse, por mais que ele soubesse que ela seria um espaço vazio em seu coração pelo resto da sua vida, e que também o tempo seria seu maior inimigo, pois faria o favor de passar vagarosamente e se encarregaria de criar constantemente situações em que ela pudesse ser lembrada. E era duro saber que o tempo era eterno.

                Ele então despertou daqueles devaneios, e se viu de volta aquela ponte. Colocou a mão no bolso do paletó, mas só depois lembrou que havia largado o cigarro, dois dias antes do fatídico dia, não por causa dela, mas porque havia encontrado um motivo para viver e o cigarro o estava matando. Mas colocar a mão no bolso do paletó não foi algo feito em vão, lá ele encontrou outra coisa, a sua pequena garrafa de uísque, e ela estava bem cheia. Ele a levou a boca, e foi derramando vagarosamente o seu conteúdo em sua garganta, de modo que fosse possível sentir sua garganta arder, aquela sim era uma dor suportável, diferente das outras que o atormentavam mesmo ali.

                Olhou mais uma vez para o céu, agora a Lua estava encoberta por algumas nuvens, coincidência ou não, desde o trágico dia a cidade estava mais nublada que de costume, e chovia mais do que de costume também, parecia que o próprio Deus chorava por sua perda. Continuava a olhar o céu e, agora, via a Lua começar a sair de trás das nuvens e a brilhar novamente, e de repente fora alcançado por um pensamento diferente de todos que haviam lhe acontecido nesses últimos dias. Deu outro trago no uísque, esse mais rápido e menor, porém da mesma ardência do anterior, talvez pelo desejo nele imbuído. Entrou no carro e deu partida pensando onde poderia encontrar flores naquela hora da madrugada. A resposta apareceu em sua cabeça quase que instantaneamente.

                Dirigiu então até a mesma agência funerária que havia cuidado do velório de sua esposa. Ao chegar lá o atendente prontamente o reconheceu, e fez uma cara de espanto, provavelmente pensando que o homem a sua frente havia perdido outro ente querido. Mas o que o atendente não percebeu é que o seu semblante era diferente da outra noite em que ele havia vindo. Desta vez o homem à sua frente não derramava lágrimas, nem tampouco se lamentava, ele estava quase sorridente, mas não ainda. E perguntou quanto custava uma rosa, uma única rosa vermelha. O atendente sem entender perguntou se era um botão de rosa ou uma flor do campo, e o homem demonstrando uma ansiedade feliz disse que era uma rosa vermelha, daquelas que o namorado dá para a namorada, que é vermelha porque tem paixão, que é vermelha porque paixões são feitas de dor, e dor traz consigo sangue. O homem então pagou o que o atendente lhe dissera e levou consigo uma rosa.

                A Lua agora estava mais brilhante no céu, as nuvens por alguma razão haviam desaparecido, ele dirigia rápido, mas não tinha pressa, porque dessa vez ele sabia que o tempo nada podia fazer, nem demorar e nem passar rápido, nem curar e nem ferir, ele podia apenas ser o tempo, eterno e infindável tempo. Enfim chegara ao cemitério onde sua esposa estava enterrada, desceu então do carro com a rosa na mão e dirigiu-se ao túmulo onde ela estava enterrada. Lá estava gravado em uma placa de ouro:

“Lounna Alice MacGrame

* 02/10/80

 + 06/08/14

A mais perfumada das flores.

                Uma lágrima escorria do rosto daquele homem, e quase que ao mesmo tempo em que ela atingia o canto de sua boca, ele começava a sorrir, abaixando-se e colocando a rosa sobre o túmulo. Olhou mais uma vez para o céu, pois havia sentido um leve respingo de água no seu braço, mas o céu estava limpo e a Lua refletia a luz como ele jamais tinha visto antes. Então o homem voltou-se novamente para o túmulo e fez uma promessa a sua esposa. Prometeu que viveria os dias que ainda restavam em sua vida, sem mais lamentar por tê-la perdido, mas que viveria esses dias felizes porque tinha amado, sido feliz e isso era tudo que ele queria desde o dia que estabeleceu seus sonhos, quando ainda era criança, e jurou que viveria todos os dias de sua vida amando uma única mulher, pois esse amor não pode ser separado nem mesmo pela morte. Quase que instantaneamente após o homem acabar de falar, um raio cortou o céu e começou a cair uma chuva fina, que parecia tão suave ao tocar folhas, árvores, pedras, túmulos, chão e o próprio homem, que mais uma vez ele ponderou sobre serem lágrimas divinas aquela chuva, desta vez indo mais além, ponderou ele se estavam todos os anjos do céu a lamentar sua perda e sabia que lá, em algum lugar no céu, havia um anjo que, como ele, não mais chorava, pois estava aguardando o passar do tempo, para um novo recomeço. Por que a carne humana vem do pó e para o pó retorna, mas duas almas gêmeas não podem ser separadas nem pela morte, nem mesmo pelo tempo imortal.


Falando do tempo, falando das coisas casuais da vida, falando da morte, falando da eternidade, falando de tanta coisa que talvez tenha esquecido de falar das coisas mais importantes, mas já não importa. Esse daí tem muitos laços, e só Deus sabe o quanto eles podem durar, ou não.

5月11日

Quem?

Quem

 

Quem sou eu? O cara de barba.

Quem é você? A menina de óculos.

Quem sou eu? O cara errado.

Quem é você? A menina certa.

 

Onde eu estou? Perdido no deserto.

Onde você está?  No caminho de antes.

Onde eu estou? Trancado com medo.

Onde você está? Vivendo sem medo.

 

Onde você está? Onde eu estou?

Quem é você? E eu quem sou?

 

 

by Fahad  Mohammed Aljarboua

Gostei da musicalidade desse poema, diria que ficou engraçado também. Enjoy it!

5月10日

Caminhos

                À sombra da noite, ele caminhava de volta para casa pensando em coisas que passavam rapidamente em sua mente e desapareciam ainda mais depressa. Olhava para o céu e procurava respostas que, definitivamente, não estavam lá, e o pior é que ele sabia disso. Seus passos começaram a parecer estáticos, como se ele andasse em uma esteira, caminhando sem sair do lugar.

Agora os pensamentos pareciam mais rápidos, porém mais fortes, ele conseguia perceber claramente o que estava pensando, o que o levou a pensar que eram essas as respostas que ele procurava. Parecia agora que o sinal, que por um longo tempo ele havia esperado, enfim tinha acontecido. E agora ele notava que estava de novo caminhando, conseguia enxergar coisas que estavam distantes, por mais que a percepção tenha estado lenta por muito tempo.

Talvez essa fosse a honra que ele merecia. Sentou então sobre uma pedra e começou a repensar os passos que ele havia dado para ver se aquele era mesmo o caminho correto, ou se deveria seguir um outro, ou recomeçar. Depois de muito tempo pensando, olhou para trás e em seguida para frente, e decidiu seguir em frente e enfrentar o que estava por vir, chegar ao final do caminho que ele tinha traçado, e assim não transformar o caminho que já havia passado em algo que tenha acontecido em vão.

Segundos depois de levantar-se, decidiu outra coisa. A caminhada a partir de agora teria novos rumos, ele não mais passaria por florestas escuras e pântanos desertos, de agora em diante ele não ia mais se esconder, passaria pelas cidades e ignoraria aqueles que lhe fossem alheios ou os que tentassem derrubá-lo. A busca pela princesa, que foi raptada sob sua proteção, estava quase no fim e agora já estava mais do que na hora de que além da princesa, ele deveria lutar também pela sua honra de volta, era hora de encarar de novo as pessoas e, ao invés de tentar impor, conquistar o seu respeito.

Algumas horas se passaram antes que ele chegasse até a primeira cidade. Lá as pessoas pareciam evitar olhar pra ele, ou então o faziam com medo ou desdém, era nítido que depois de tudo que aconteceu as pessoas, em sua maioria, o desprezassem ou fizessem pouco caso de sua antiga reputação ou do que haviam visto ele fazer. Na primeira cidade ele passou em silêncio, sem falar com ninguém.

Algumas milhas depois de ter passado pela cidade, ele foi atacado por um grupo de homens que o chamavam de traidor, por vezes ele insistiu que não queria discutir com eles e nem queria lutar contra eles, até que um dos homens desembainhou a espada e avançou contra ele, em um movimento rápido ele sacou sua espada e desarmou o homem, nesse instante os outros o atacaram, foi então que recordou de seu velho espírito de luta, e com essa recordação outra vez sua habilidade e desejo pela batalha emergiram e ele acabou matando os homens, sem se importar com quem eles eram e o que haviam deixado para trás.

Acabado o combate ele estava um pouco cansado e levemente machucado, entretanto, recuperou-se um pouco e cavou sepulturas e deu um enterro aqueles homens, como forma de penitência pelo que havia feito com eles, sobre seus túmulos deixou a espada que cada um carregava, cada uma delas com um brasão diferente, o que significava que cinco famílias haviam perdido com aquelas mortes. Recuperou-se mais uma vez e pegou novamente a estrada. Estava perto de anoitecer e a cidade seguinte estava ainda distante, foi então que ele avistou uma pequena vila ao longe e decidiu ir até lá para passar a noite.

Já começava a escurecer quando ele chegou até a vila, ele não via ninguém por lá e havia apenas umas poucas casas, de repente ele começou a ouvir vozes vindas de uma das casas, a maior que havia ali, provavelmente era uma taverna ou estalagem, ele então começou a caminhar na direção dela. De repente ele ouviu um barulho, e foi surpreendido por um jovem rapaz que parecia impressionado com a visão daquele homem.

- Nossa! O senhor é um cavaleiro? – indagou o rapaz.

- Não, não sou mais – respondeu o homem secamente.

- E estas vestes? Esta armadura? E a espada? Porque as usa?

- Talvez esta seja uma das respostas que eu procuro jovem.

- Mas o senhor já foi um cavaleiro então? Será que poderia me ensinar a lutar como um verdadeiro cavaleiro? Eu sempre sonhei em ser um cavaleiro e casar-me com uma linda princesa, mas o meu pai dizia que isso só acontecia em lendas.

- Sim, meu rapaz, eu já fui um cavaleiro. Há muito tempo, mas meu tempo passou ou pelo menos as circunstâncias me fizeram acreditar nisso. É melhor acreditar no seu pai, ele estava certo. Sabe onde posso passar a noite rapaz?

- Não tem estalagem nesta vila, mas talvez se eu falasse com meu pai, ele poderia deixar o senhor passar a noite no templo – falou o rapaz apontando a grande casa. – Mas eu não posso falar com ele.

- E porque não?

- O senhor não entenderia – naquele momento o jovem saiu correndo na direção oposta à que os dois caminhavam.

O homem então se aproximou da grande casa e devagar subiu um pequeno lance de escadas que antecedia a porta. Ao ver a porta entreaberta o homem hesitou, mas acabou entrando lentamente na casa e viu uma série de pessoas reunidas ouvindo atentamente as palavras de um homem alto, forte e que, apesar de estar um pouco mais velho, ele jamais poderia esquecer o resto. Mas antes que ele se desse conta, o homem falou:

- Quem é você cavaleiro? O que o traz a humilde casa do Senhor?

- Eu não poderia imaginar que você me esqueceria um dia, mas somente o próprio Deus para me trazer pelo caminho que me fez novamente encontrá-lo reverendo.

O reverendo olhou atentamente para o forasteiro que havia entrado, hesitou por alguns segundos e caminhou na direção dele, as pessoas ali olhavam aquela cena em silêncio. O reverendo parou subitamente e falou:

- Por favor, caros amigos, deixem-nos a sós.

As pessoas então começaram a levantar-se e deixar o templo. O pastor voltou a caminhar na direção do homem e ao aproximar-se começou a observá-lo dos pés a cabeça. Quando todos deixaram o templo o reverendo certificou-se que a porta estava fechada, e pegou uma espada que estava ao lado da porta.

- Como pode aparecer aqui depois de tudo o que fez? – falou secamente o reverendo.

- Eu estou procurando por ela. E nunca imaginei encontrá-lo aqui. Era esse o sinal que eu esperei por muito tempo, um sinal de Deus.

- Não seja estúpido, nem pense que eu o sou. A sua jornada de traição acaba aqui.

- Reverendo! O que está fazendo? – falou o homem esquivando-se de um ataque que o reverendo fez contra ele. – O senhor sabe que eu jamais faria tal coisa, muito mais contra o senhor. Por favor, me escute.

O reverendo atacava sucessivamente o homem, que se esquivava dos ataques e pedia que eles cessassem. O templo estava sendo danificado pelos ataques mal-sucedidos do reverendo. Até que houve um momento que o homem sacou sua espada e bruscamente desarmou o reverendo atirando sua arma longe.

- Já chega! – gritou o homem. – O senhor agora vai me ouvir. Durante meses, desde que parti da terra onde vivi a maior parte da minha vida, eu viajei por vales e florestas escuras, pântanos, viajei pelos piores lugares da terra sempre me escondendo das pessoas. Até que percebi que não era das pessoas que eu estava me escondendo, e sim de mim mesmo. Uma vez o senhor me disse que não era possível mentir tão bem que pudesse enganar a si mesmo, pois bem, por vezes eu acreditei nas mentiras que eu contava para manter uma posição que eu não podia ocupar ainda. Até aquele dia, o dia em que vieram e levaram a princesa sob minha proteção. Naquele mesmo dia o rei me acusou de traidor, me acusou de ter planejado tudo aquilo e ordenou que eu fosse preso e condenado à morte, não fosse por alguns homens que acreditavam em mim, entre eles o senhor, eu não estaria vivo. O que o rei esqueceu naquele dia, foi que antes de ser o capitão da guarda e ele rei, eu era filho dele e ele meu pai, e que antes de ser princesa a moça seqüestrada era minha irmã, mas ele ignorou isso e tirou de mim tudo que eu tinha e me fez acreditar que não valia mais a pena viver. E por muito tempo eu acreditei nisso, mas não mais. Antes de qualquer coisa, eu sou um homem, um ser humano, mas preciso provar isso pra todo mundo antes de voltar a viver isso.

- Não! Você não precisa – falou uma voz familiar vinda dos fundos do templo. – Este homem que está na sua frente, o meu pai, o seu mestre, uma vez ele me disse que pra sermos quem somos, homens, humanos, nós não precisamos provar nada a ninguém – era o jovem que ele havia encontrado do lado de fora do templo. – Ele também me disse que as aparências nem sempre mostram a verdade e que é possível errar e começar de novo, por mais que o novo começo seja sempre mais difícil.

- Thamara! Eu já te disse que não quero vê-la vestindo-se como um rapaz. Você não pode se tornar uma amazona – falou o reverendo, como se estivesse ignorando o que sua filha havia dito.

Naquele momento, ao ouvir as palavras do reverendo Zhos, o cavaleiro estava perplexo. Ele não havia percebido que aquele jovem que falara com ele pouco antes era na verdade uma moça, era a filha do reverendo. E embora estivesse chocado com essa descoberta, as palavras da moça havia mexido ainda mais com ele, ouvir aquilo foi como ouvir o próprio reverendo falar nos tempos em que lhe ensinava as artes da guerra, exatamente, aquele homem de Deus, era um herói de muitas vitórias, mais que isso era quem havia ensinado tudo que ele sabia.

- E então, o que você está esperando pai? – falou a moça. – É esse o homem, não é? Aquele que o senhor por vezes se referia como o melhor homem que o senhor havia conhecido, que havia sido injustiçado e que, provavelmente, estava perdido em suas próprias memórias. É assim que o senhor o recebe? Tentando desesperadamente matá-lo, com ataques tão sem efeito, que não acertariam nem uma árvore.

- Já chega Thamara! Deixe este lugar, você não deveria estar aqui – falou o reverendo levantando-se lentamente. – Este homem é um assassino, um traidor, não passa de um bandido qualquer. Esta é a verdade...

- Que verdade meu pai? – interrompeu a moça. – A sua verdade? Ou será uma mentira que o senhor conta pra si mesmo e insisti em acreditar?

Naquele momento, vários homens armados invadiram o templo. E atacaram o cavaleiro. Ele defendeu-se, o espaço limitado do templo anulava a vantagem numérica dos atacantes, e um após o outro ele matou a todos eles, e ao parar, com o rosto manchado de sangue, mais que isso, com a alma manchada de sangue, ele olhou para a filha do reverendo, ela estava nitidamente apavorada, ele percebia as lágrimas que escorriam em seu rosto, eram lágrimas de medo. De repente, ela fez um gesto súbito e gritou:

- Nããããããooooooo!

                O homem ouviu o som de um golpe de espada atrás dele e virou-se rapidamente. Um homem teria acertado ele pelas costas não fosse o reverendo ter colocado o próprio corpo como escudo para protegê-lo. O homem viu o reverendo cair no chão agonizando, olhou para o homem parado a sua frente com a espada suja de sangue e foi tomado por um ódio que o deixou cego, atacou o homem ferozmente, parecia que não havia nenhuma técnica em seus ataques. E não havia, ele estava sendo guiado unicamente por seus instintos, os mais primitivos que um ser humano pode ter, após derrubar o assassino do reverendo, ele ignorou que o homem estivesse morto e continuou a acertá-lo com golpes de espada.

                - Ele era o melhor o homem que eu conheci, tudo aquilo que eu sempre me espelhei para me tornar um homem melhor, para me tornar um cavaleiro digno e honrado. E você o matou miserável – falava o homem em lágrimas de ódio e tristeza.

                O cavaleiro só parou de atacar o homem que havia matado o reverendo quando não tinha mais forças para mover os braços, neste instante voltou-se para o corpo do reverendo e aos prantos o abraçou.

                - Por que o senhor me salvou reverendo? Eu não era digno o bastante para o senhor morrer por mim.

                - Você era sim. Era não, é – falou a filha do reverendo. – Todos os dias da minha vida eu ouvi meu pai falar sobre você, da forma como você o respeitava, da sua habilidade com a espada e, sobretudo, da sua honra, segundo ele, você é o homem mais honrado que ele conheceu, mesmo que por várias vezes não fosse verdadeiro com os outros. E isso era única coisa que ele não conseguia entender em você. Ele me dizia que um dia disse a você que você não deveria contar mentiras...

                - Para se tornar um homem melhor, pois os homens melhores são aqueles que o são não pelo que dizem, mas pelo que fazem – interrompeu o homem, lentamente parando de chorar. – Eu jamais esqueceria essas palavras, no dia em que ele me salvou da forca.

                - Acredite em mim, o meu pai está feliz por ter dado a vida dele em troca da sua. Ele já estava no fim da vida, e você ainda tem uma longa vida pela frente. Agora vá em frente, siga a sua jornada e eu cuidarei do enterro do meu pai.

                Naquele momento o homem pegou o crucifixo do reverendo e colocou no pescoço da filha dele. Enxugou as lágrimas que corriam o rosto dela e pegou suas mãos, depois soltou o cabelo dela, neste momento ela sorriu um pouco.

                - Você é muito bonita, Thamara – falou ele com a voz mansa, diferente de sua voz momentos antes. – Mas a minha jornada acabou, eu encontrei o que eu estava procurando. E acredite, esteve mais perto de mim do que eu jamais pude acreditar – neste momento ele colocou a mão dela no seu peito, perto do coração. – Sempre esteve aqui, dentro de mim. O meu coração, a minha vontade de viver, é isso o que eu devo usar como apoio pra ser um homem melhor e talvez assim, um dia quem sabe Deus será generoso comigo e me dará alguém para dividir os dias restantes da minha vida.

                - E para onde você vai agora?

                - Eu vou recomeçar, só não sei por onde.

                - Porque não fica aqui? O templo vai precisar de alguém para ocupar o lugar do meu pai, e eu não posso fazer isso, pois sou uma mulher. E além do mais você poderia me dar aulas de espada – falou Thamara com entusiasmo e alegria.

                - Desculpa Thamara, mas eu não posso. Eu preciso partir. E também...

                - Silêncio! – falou ela colocando o dedo nos lábios de homem e olhando rapidamente para o pai. – O senhor aprovaria meu pai.

                Ela então beijou o cavaleiro, um beijo ardente como o fogo, cheio de um sentimento que nenhum dos dois havia sentido antes. O homem parou de beijá-la e hesitou por um instante, mas ele não tinha mais controle e dessa vez foi ele quem a beijou. A cada segundo em que eles se beijavam sentiam aquilo ainda mais intenso e então eles levantaram-se e foram para os aposentos do reverendo nos fundos do templo, onde passaram a noite juntos e se amaram intensamente, pelo menos durante aquela noite. No dia seguinte quando acordou, Thamara, não encontrou o homem, que ela sequer sabia o nome e com quem ela havia passado a noite junto, ao seu lado. Havia apenas uma carta.

                Querida Thamara,

                Eu nunca senti antes por ninguém o que senti por você desde o primeiro instante em que você me beijou, mas eu não sou o homem certo para você, pelo menos não ainda, espero que a vida possa me mostrar o caminho para me tornar esse homem e que como Deus me guiou até o reverendo novamente, ele possa um dia me guiar de volta para você.

                Até breve, mas não adeus.

                Com amor.

                Ele não havia assinado a carta com seu nome, mas com um pingo de sangue, como se quisesse dizer que aquilo era uma promessa de sangue, um juramento. Ela chorou e deitou-se novamente pensando naquele homem que ela sequer sabia o nome.





Bem, este é um conto sobre busca. Mas o que buscamos? É essa pergunta que devemos nos fazer todos os dias, para que um dia encontremos o nosso caminho, para o que quer que nós buscamos. Está saindo do forno, e particularmente está com muito sentimento nas entrelinhas.